Os computadores são, objetivamente, a ferramenta mais poderosa para apoiar processos de ensino. O objetivo da educação é prover o conhecimento necessário para se adaptar à realidade e trabalhar.
Adaptar-se implica integrar-se no meio social e exercer a influência necessária para fazê-lo crescer e com isso expandir as possibilidades das gerações futuras.
O trabalho implica gerar valor agregado e receber a contraparte desse valor.
Os computadores podem gerar resultados paradoxais
A realidade é um sistema adaptativo que, por definição, é complexo.
A complexidade implica, entre outros aspectos, que os elementos da realidade têm definições difusas e que são interdependentes e sua percepção é ambígua dentro de um meio que tem limites abertos e requer do uso de lógica integradora para sua apreensão.
Com pensamento dual não é possível apreender a realidade
Os computadores provêem um ambiente de segurança que dá respostas instantâneas baseadas na lógica dual, evitando a necessidade de enfrentar a incerteza e a ambigüidade da realidade.
Por isso é que o uso de computadores nos processos de ensino gera uma realidade paralela na qual os indivíduos sabem que estão em um meio desambiguado, onde podem dominar a realidade que está sendo ensinada.
Crescer implica ser capaz de se adaptar a um meio que é mais amplo, mais complexo ou que requer de maior consumo de energia que o que está manejando o aluno em um dado momento.
Estas realidades paralelas que podem gerar os computadores se transformam, para as mentes ociosas, no “Grande Irmão” de George Orwell.
Os computadores potencializam aos alunos que estão impulsionados por uma necessidade de aprender, mas a massa prefere procurar um Grande Irmão a quem seguir, enquanto procura satisfazer suas necessidades individuais.
Os mestres precisam mudar de papel
A massa de mestres adotou no sistema educativo o papel da conservação de energia dado pelo ensino. Não precisavam investir a energia necessária para guiar processos de aprendizagem individuais. Iso nunca foi pedido. Por isto é que a taxonomia de aprendizagem de Bloom não se difundiu e passou a ser utilizada nas escolas para meninos superdotados.
Se os mestres não adotam o papel de guiar os processos de aprendizagem, os computadores produzem a inibição do pensamento das massas.
A mudança de papel dos mestres requer de uma mudança generacional sempre e quando houver uma decisão de potencializar a aprendizagem dos alunos.
Esta decisão não tem “rating” porque potencializar o encargo de responsabilidades requer um maior nível de consumo de energia em tanto que o “rating” demanda uma redução do nível de consumo de energia.
Uma degradação adequadamente “disfarçada” tem rating alto, em tanto que uma elevação do nível não o tem.
Peopleware, software e hardware
Todo sistema precisa estar focalizado nas pessoas, fica em marcha com o software e a conservação de energia está dada pelo hardware.
O uso de computadores na educação requer definir primeiro o peopleware, logo o software e, finalmente, instalar o hardware necessário.
A evolução requer ter o conceito do peopleware, incluindo tanto a alunos como a mestres, para definir o sistema educativo.
A involução se produz quando as soluções de hardware precedem às de software. Mas ambas se degradam se o peopleware não demonstrou sua validez.
A involução sempre consome menos energia que a evolução. Por isso é tão difícil passar de involução a evolução e é tão fácil fazer à inversa.
Países em desenvolvimento e países em vias de subdesenvolvimento
As culturas em desenvolvimento seguem naturalmente as regras da evolução e as culturas em subdesenvolvimento tendem a fazer “atalhos” em sua evolução que produzem efeitos paradoxais.
A massificação dos computadores nas escolas, sem ter clarificado o propósito do peopleware e sem ter resolvido as alternativas de software, transforma-se em um fim em si mesmo e degrada ao processo educativo. É por isso que tem rating. Provê soluções mágicas a um problema que requer de uma estratégia de mudança cultural.
O efeito é necessariamente uma degradação da capacidade de adaptação dos alunos em tanto se promove uma realidade paralela que tende a transformar-se em adição para evitar assumir a responsabilidade de pensar / refletir.
Um paliativo
Os pais precisam assumir a responsabilidade de liderar a educação de seus filhos. Recomendamos veementemente gerar um contexto real ao qual os meninos precisem se adaptar e resolver problemas que estiverem além dos limites dos computadores.
Se você pode alcançar este objetivo, o desmanejo da educação sustentada por computadores se verá compensado e ao mesmo tempo se verá transformado em um processo funcional. Caso contrário, você verá os meninos fazer uma “Rebelião na Granja” para procurar o “Grande Irmão”.
Quando não há pais, não há paliativo.
Conheça o uso de soluções de base ontológica para os negócios:
http://www.unicist.net/br/obs.shtml
Peter Belohlavek e Diana Belohlavek
NOTA: The Unicist Research Institute é a maior organização de investigações do mundo em sua especialidade, baseada em mais de 3.500 investigações, até Setembro de 2010, em ciências da complexidade aplicadas à evolução individual, institucional e social. As investigações aplicadas estão baseadas no descobrimento da Inteligência Ontogenética da Natureza e a conseqüente Ontologia Unicista de Evolução.